NOSSA HISTÓRIA

GUIMARÃES – a Joia da Floresta dos Guarás

Como tudo começou 

O município de Guimarães fica situado no litoral da Amazônia Maranhense, na Floresta dos Guarás - Área de Proteção Ambiental (APA) Reentrâncias Maranhenses, cobrindo 595.382 km². A sede do município, a cidade de Guimarães, completou 264 anos, em 19 de janeiro de 2022. Antes de ser elevada à categoria de cidade, o que só aconteceu em 1920, a região de Guimarães já tinha sido terra de povos indígenas tapuias e tupinambás. Especialmente dos tupinambás, que chegaram ao litoral vimaranense por recusarem submissão aos portugueses que se instalavam em Pernambuco e Bahia, a partir de 1500.  

Guarapiranga era o nome da aldeia dos tupinambás, que significa “garça vermelha”, em alusão à presença dos guarás que enfeitam o céu azul e o verde dos mangues desse litoral. Os tupinambás tinham boas relações com os franceses e, ao lado deles, lutaram contra os portugueses, uma vez que o rei da França tinha planos de fazer, do Maranhão, uma França Equinocial.

Com a expulsão dos franceses e a vitória dos portugueses, em 1615, os tupinambás foram massacrados, a ponto de hoje pouco sabermos sobre as raízes indígenas do município. A aldeia virou Fazenda Guarapiranga, que foi doada, em 1758, por seu dono José Bruno de Barros à Coroa Portuguesa. O Governador da Província do Maranhão, Gonçalo Pereira, batizou o lugar de Vila São José de Guimarães do Cumã, em homenagem a Guimarães de Portugal.

Povos indígenas

Sabemos que a história de uma pessoa ou de um lugar sempre depende do ponto de vista de quem conta essa história. Os historiadores não medem esforços na reconstituição dos fatos, coletando dados nas mais diferentes fontes. Segundo Paulo Oliveira, em sua obra Recontando a História de Guimarães, o padre francês Yves D’Evreux deixou em seus escritos que chegaram a existir de quinze a vinte aldeias indígenas nas terras próximas à Baía de Cumã. Ele cita doze delas: Anuacuare ou Jaguaraquara (de jaguar – cão, e quara – toca de cão), Tavapiap ou Tubapiaba (aldeia escondida, afastada), Cui Iep ou Guiaíba (arvore de cuia ou cuieira, cabeça preparada), Aruipê (aruipé), Taevonajo (taeuonaio), Pacuripanã (bacuri-panã), Aovajeíve, Maecã, Curemaetá, Japieíve (Japiiba).

Povos africanos

Os africanos escravizados e trazidos para Guimarães representavam, em 1860, 39% da população, o que na época chegava a 13.911 habitantes. O livro Maria Firmina dos Reis e o cotidiano da escravidão no Brasil, escrito pelo magistrado e vimarense Agenor Gomes, revela que pelo menos dezoito etnias e nações diferentes desembarcaram em Guimarães (congos, fulas, angolas, cabindas, ambacas, minas, benguelas, mandigas, moçambiques, cassanges, cacheus, bijagós, angicos, rebolos, entre outros) - uma quantidade bem maior que em outras regiões do país. Se grande era o número de escravizados, também assim eram o total de quilombos ou mocambos que se formavam por aqueles que fugiam de seus “senhores”.

A independência do Brasil em relação à Portugal, em 1822, não foi aceita por Guimarães, tal como São Luís e Alcântara. Lar de muitos lusitanos, estes preferiram submeter-se à Coroa Portuguesa, uma vez que eram mais ligados a Lisboa, capital do Reino português, do que ao Rio de Janeiro, capital do Brasil à época. Mesmo incorporada ao Império do Brasil, Guimarães continuou próspera. Na década de 1860, ocupava o segundo lugar no Maranhão em número de engenhos de açúcar, com o total de oitenta.

Crise na economia local

Com a abolição da escravatura, em 1888, e a proclamação da República no ano seguinte, a sociedade vimarense passa por grandes mudanças, acompanhando todo o contexto de declínio econômico do estado. Foi quando o Maranhão tentou implementar, sem êxito, um parque industrial têxtil. O fracasso se deu, principalmente, pela forte concorrência com os produtos do sul do país.

Entre o final do século XIX e o início do século XX, o que acontece, no município de Guimarães, é o abandono de inúmeras fazendas e o desmonte dos engenhos, com a migração dos descendentes dos antigos “sesmeiros” para centros urbanos como São Luís, Belém e a capital federal Rio de Janeiro. Com a partida dos senhores de engenho e a desconfiguração das fazendas, ocorre um fenômeno que os historiadores chamam de “aquilombamento das fazendas”, ampliando o conceito de quilombo, que deixa de ser apenas o refúgio de escravos negros fugidos para designar as comunidades quilombolas, muitas delas já certificadas pela Fundação Palmares do governo federal.

 

Destaque na educação

A partir de meados do século XX, Guimarães, já elevada à categoria de cidade, passa por significativa projeção no âmbito da educação. Essa expansão se deveu, principalmente, ao padre italiano Luiz Zecchinato, que chega à cidade em 1950, fundando escolas, internatos, clubes de mães, de jovens, centros artísticos, escolas profissionalizantes etc. Toda essa atuação lançou as bases para que se iniciasse a extraordinária missão canadense da diocese de Nicolet, a partir de 1955. Também é desse período a construção do prédio do Grupo Escolar Dr Urbano Santos, primeiro prédio escolar do município, marcando o fim das aulas nas casas dos professores. Nos anos 1970, é a vez do prédio denominado CEC – Centro Educacional Comunitário, construído em mutirão para abrigar a Escola Normal Nossa Senhora da Assunção.

Contudo, a tradição de Guimarães de zelar por uma educação de qualidade vem de muito antes. A primeira escola na Vila Guimarães foi iniciativa do governo provincial, em 1835, mas era somente para meninos. Dois anos depois, surge outra escola de primeiras letras, dessa vez para meninas, a cargo da professora Francisca Teodoro de Melo. Em 1847, é substituída pela célebre Maria Firmina dos Reis, então com 22 anos, que mais tarde fundaria a primeira escola mista do Maranhão, no povoado de Maçaricó. Maria Firmina, a primeira romancista do país, fez de Guimarães a sua terra natal. A beleza do litoral vimarense inspirou-lhe muitos poemas e lá escolheu viver até o fim de seus dias.

Na segunda metade do século XX, Guimarães sofre importantes perdas territoriais, com a emancipação de vários distritos, e hoje pode ser considerada a cidade mãe do Litoral Ocidental Maranhense, bem como de Santa Helena e Pinheiro, na Baixada Maranhense.

 

[1] Adaptação do texto de Antônio Marcos Gomes, baseado nas pesquisas e publicações do historiador Paulo Oliveira.




HINO DA CIDADE

Ao verde brilho infindo do virgem palmeiral
Desposa-se profundo o azul bravio do mar.
Ao flutuar das ondas, do vento o sibilar.

Oh! terra amada, ó Pátria,
Duas vezes secular
Vivo farol de glória,
Estremecido lar.

Zarpam teus barcos leves que destemidos vão
Levar teu nome às praias de todo Maranhão.
E de tua gente intrépida leva-se o canto ao mar.

Oh! terra amada, ó Pátria,
Duas vezes secular
Vivo farol de glória,
Estremecido lar.

O vate dos timbiras, voltando à terra irmã,
Beijou, morrendo, a pátria, nas águas de Cumã.
De Guimarães foi dádiva o abraço do Brasil.

Oh! terra amada, ó Pátria,
Duas vezes secular
Vivo farol de glória,
Estremecido lar.

Pelo Brasil, imenso, raios de claro sol
Brilharam já teus filhos, qual fúlgido arrebol
Sotero, Urbano Santos, fizeste deslumbrar.

Oh! terra amada, ó Pátria,
Duas vezes secular
Vivo farol de glória,
Estremecido lar.


LEI DE CRIAÇÃO

 

 

 



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